A Liturgia deste Domingo V da Quaresma mostra-nos (novamente) um Deus que ama e cujo amor nos desafia a ultrapassar as nossas próprias escravidões para chegar à vida nova, a vida eterna.
Na Primeira Leitura é nos apresentado o Deus libertador, que acompanha com solicitude e amor a caminhada do seu Povo para a liberdade. Esse “caminho” é o paradigma dessa outra libertação que Deus nos convida a fazer neste tempo de Quaresma e que nos levará à Terra Prometida onde corre a vida nova.
O nosso Deus é o Deus libertador, que não Se conforma com qualquer escravidão que roube a vida e a dignidade do do ser humano e que está, permanentemente, a pedir-nos que lutemos contra todas as formas de sujeição. Quais são as grandes formas de escravidão que impedem, hoje, a liberdade e a vida?
A Segunda Leitura desafia-nos a libertarmo-nos do “lixo” que impede a descoberta do fundamental: a comunhão com Cristo, a identificação com Cristo, princípio da nossa ressurreição.
Neste tempo favorável à conversão, é importante revermos aquilo que dá sentido à nossa vida. É possível que detectemos no centro dos nossos interesses algum desse “lixo” de que Paulo fala (interesses materiais e egoístas, preocupações com honras ou com títulos humanos, apostas incondicionais em pessoas ou ideologias…); mas São Paulo convida a dar prioridade ao que é importante – a uma vida de comunhão com Cristo.
O Evangelho diz-nos que, na perspectiva de Deus, não é o castigo ou intolerância que resolvem o problema do mal e do pecado; só o amor e a misericórdia geram activamente vida e fazem nascer o homem novo. É esta lógica – a lógica de Deus – que somos convidados a assumir na nossa relação com os irmãos.
O nosso Deus funciona na lógica da misericórdia e não na lógica da Lei; Ele não quer a morte daquele que errou, mas a libertação plena do homem. Nesta lógica, só a misericórdia e o amor se encaixam: só eles são capazes de mostrar o errado sentido da escravidão e de soprar a esperança, a ânsia de superação, o desejo de uma vida nova e verdadeira.
Fernando Ilídio in Ekklesía ®

Comentários
Enviar um comentário